
Período de férias, festas e esquecimentos, o país por um momento esquece que embaixo da árvore de natal ainda restaram as sujeiras de um ano inteiro.
O engraçado é que até nós (pessoas "chatas" com o sistema que vivemos), deixamos de lado todo o envolvimento político ou social que temos com nosso povo, para nos deliciarmos na "emoção" do fim de ano.
Pois bem, esses dias vivo num incômodo grande por estar parada, sem estudar e sem nada pra fazer. Hoje pela manhã, observando um livrinho velho e fininho que tenho, chamado "Informação e Poder"de 1993, observei algumas palavras do Cristóvam Buarque (um gênio, na minha opinião). Ele falava qual o grande problema do Brasil, é claro que em outro contexto e em outra época, mas que encaixa perfeitamente com o atual momento, o que me levou a comparações. Vou colocar aluns trechos aqui...
'
"Um dos problemas mais sérios da atual realidade brasileira, que dificulta compreender a crise em que se vive, é o fato de que os economistas cuidam da economia, os médicos falam da saúde, os professores da educação, e ninguém entende o conjunto...
Recentemente estive assistindo um debate de cineastas e descobri que durante três dias eles falaram de três coisas: Dinheiro, dinheiro e dinheiro para fazer cinema. Como se os analfabetos pudessem ou desejassem ir ao cinema que eles fazem para a elite intelectual; como se pessoas com fome fosse fazer fila para entrar cinema. Os cineastas perderam a perpectiva de que para haver um bom cinema eles tem que ter uma população alimentada e educada..."
'
Cristóvam fecha seu texto de uma forma simples e espetacular quando cita a televisão como fator importante para um progresso...
"O monopólio se quebrará na hora em que tivermos uma população educada, quando a televisão deixar de ser uma espécie de cocaína da imaginação, um anestesiante do pensamento nacional. O vício da droga só se controla na medida que as pessoas não sentem necessidade dela. É preciso mostrar que não precisa da televisão da forma como ela é..."
'
Bom, fico me perguntando nesse fim de ano, será que não nos anestesiamos com o pensamento "fim de ano"???

1 comentários:
Ainda há sentimento?
Datas como essas viraram, simplesmente, datas comercias.
Adestrados a somente uma visão, uma manada vivendo a sua própria ignorância.
O momento do esquecimento.
e como gostam de falar: " O Brasil volta a funcionar depois do Carnaval, o último a sair apaga a luz e fecha a porta."
beeijo Fê!
Postar um comentário